Tira-Teima Mariano

A Virgem Maria é Mãe de Deus?

Padre Francisco Amaral*
Publicação original 16/05/2018

A Igreja proclama a Virgem Maria como Mãe de Deus. Alguns, porém, questionam tal título, afirmando que Maria é somente Mãe de Jesus Cristo, tendo em vista que o Verbo Divino já existia antes da Encarnação. O que pensar a respeito?

É um dogma de fé afirmar que Maria é Mãe de Deus. Nestes próximos artigos desta série, queremos explicar de maneira clara os Dogmas Marianos. Um dogma é uma verdade definitiva de fé, como afirma o Catecismo da Igreja Católica (cf. CEC 88). Os Dogmas Marianos são 4: Maria Mãe de Deus, Imaculada Conceição, Virgindade Perpétua e Gloriosa Assunção.

Em primeiro lugar, precisamos compreender que esta discussão a respeito de Maria ser ou não Mãe de Deus é antiga, e por isso mesmo, foi respondida com muita clareza pelo Magistério da Igreja.

No século IV, a linguagem enfatizava a distinção entre a Natureza Humana e a Natureza Divina na Pessoa de Cristo, perdendo-se a noção de uma unidade de ambas. Nesse sentido, Nestório (ano 381) ensinava que Maria é Mãe de Cristo (Cristotókos, no grego), mas não Mãe de Deus (Theotókos). A afirmação de Nestório foi combatida pelo Concílio de Éfeso (ano 431), defendendo que no único sujeito do Verbo Encarnado se encontram de modo completo e inconfuso as Naturezas Humana e Divina. Assim, o Concílio afirmou como dogma de fé (cf. CEC 495) que a Virgem Maria é verdadeiramente Theotókos (Mãe de Deus).

Ora, a mãe de alguém não é mãe simplesmente do princípio corporal da pessoa, embora o seu corpo materno não tenha a capacidade de gerar a pessoa no seu princípio espiritual; a mãe de alguém é mãe da pessoa inteira. Assim, a Virgem Maria é Mãe da Pessoa de Jesus Cristo, embora o tenha gerada somente na sua humanidade. Falando de maneira mais simplificada, podemos afirmar: Jesus Cristo é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade (cf. CEC 254), e por isso mesmo, Deus; sendo a Virgem Maria Mãe de Jesus Cristo, Ela é verdadeiramente Mãe de Deus.
A proclamação de Maria Mãe de Deus é, portanto, cristológica, pois tem em vista salvaguardar a fé na Divindade e na Humanidade do Cristo, unidas em Sua Pessoa. Por outro lado, a história relata que os fiéis se alegraram profundamente com a proclamação deste Dogma Mariano, despertando um crescimento da Devoção Mariana na Igreja.

 

*Padre Francisco Amaral é sacerdote da Arquidiocese de Cuiabá.

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