Tira-Teima Mariano

A Virgem Maria é Imaculada?

Padre Francisco Amaral*
Publicação original 07/06/2018

A Igreja proclama a Virgem Maria como Imaculada. Alguns, porém, questionam tal título, afirmando que somente Deus é sem mácula. O que pensar a respeito?

É um dogma de fé afirmar que Maria é Imaculada desde a sua concepção. Nestes artigos desta série, queremos explicar de maneira clara os Dogmas Marianos. Um dogma é uma verdade definitiva de fé, como afirma o Catecismo da Igreja Católica (cf. CEC 88). Os Dogmas Marianos são quatro: Maria Mãe de Deus, Imaculada Conceição, Virgindade Perpétua e Gloriosa Assunção.

Em primeiro lugar, precisamos compreender que esta discussão a respeito de Maria ser ou não Imaculada é antiga, e por isso mesmo, foi respondida com muita clareza pelo Magistério da Igreja.

A Bíblia apresenta o pecado original na figura do fruto proibido (cf. Gn 3). Como fora criado, o ser humano vivia em plena harmonia (cf. CEC 374) e tinha tudo que necessitava: a amizade com o Criador (cf. CEC 374) e o fruto de todas as árvores da criação, exceto da árvore do conhecimento do bem e do mal (cf. Gn 2,16-17). Tentado pela demônio, o ser humano peca pela soberba em colocar-se no lugar de Deus (cf. Gn 3,4-5), em preferir a si mesmo e não Deus (cf. CEC 398), em desobecê-lo entregando-se a um desejo que o destrói (cf. Gn 3,6). Pela falta de Adão, todos são atingidos e privados da glória original (cf. Rm 5, 12-21). Dessa forma, havendo se separado de Deus, o ser humano transmite as consequências disso para as gerações posteriores. O pecado original se transmite hereditariamente não como uma culpa (cf. CEC 404), tendo em vista que ninguém pode se considerar culpado por algo que não cometeu, mas como uma consequência.

Porém, logo após o pecado original, Deus já proclama uma batalha entre a serpente e uma Mulher, e que a Descendência da Mulher, isto é, o próprio Cristo, esmagaria a cabeça da Serpente (cf. Gn 3,15).

Após discussões teológicas, o Papa Pio XI em 1854 proclamou o dogma da Imaculada Conceição, afirmando que a Virgem Maria é isenta do pecado original: “A beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha do pecado original” (CEC 491).

Os termos da formulação do dogma professam que Maria foi preservada do pecado original em vista dos méritos de Cristo, deixando evidente que o dogma proclamado de forma alguma se contrapõe ou obscurece a centralidade de Cristo, bem como a salvação realizada por Ele: Maria também foi salva por Cristo de uma forma especial (cf. LG 53), e por isso além de Mãe, Ela é também Discípula. O Anjo do Senhor a saúda “Cheia de Graça” (Lc 1,28), isto é, agraciada por Deus, sendo concebida Imaculada e passando a vida inteira sem cometer um único pecado (cf. CEC 493).
A proclamação da Imaculada Conceição de Maria é também cristológica, pois nos aponta que o Santo dos Santos não viria ao mundo de uma forma qualquer, mas através de um Tabernáculo Puro e Imaculado preparado por Ele, a Arca da Aliança chamada Maria (cf. Ap 11,19 – 12,5).

Quatro anos depois da proclamação do dogma, a própria Virgem Maria apareceu em Lourdes, na França, e disse a pequena Santa Bernadete: “Acaso não sabeis que Sou Imaculada?”

Por isso, somos da Imaculada!

*Padre Francisco Amaral é sacerdote da Arquidiocese de Cuiabá.