Tira-Teima Mariano

A Consagração Total a Virgem Maria não implica em uma série de práticas externas

Padre Francisco Amaral*
Publicação original 15/03/2018

Esta série de artigos tem como meta desfazer uma série de idéias distorcidas a respeito da Santíssima Virgem Maria e da Consagração Total a Ela, a partir do método que São Luis Maria Montfort ensina no maravilhoso “Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima” (TVD).
Pela graça de Deus, esta Consagração tem se tornado, em nosso tempo, cada vez mais conhecida e praticada! Mas infelizmente, muitos não compreendem bem a Consagração, e acabam pensando, vivendo ou falando que a Consagração é aquilo que ela não é.
Alguns afirmam que tal Consagração implica em uma série de práticas externas, tal como uso das cadeias, saia e véu…o que pensar?
A Consagração NÃO implica nenhuma devoção externa, tendo em vista que ela é uma ato essencialmente interior (TVD n. 226)

É importante esclarecer este ponto, porque muitos tem receio de fazer a Consagração, por temerem ficar assoberbados com uma série de compromissos de oração devocionais que não conseguirão dar conta, ou que terão que cumprir tal e tal forma de ato de piedade externo ou vestimenta.

Em relação ao uso da saia e do véu em ambiente litúrgico por partes das mulheres, embora sejam práticas tradicionais, é preciso afirmar: não possuem ligação alguma com a Consagração, e São Luis nem mesmo menciona o assunto no Tratado.

Sobre as orações que São Luis apresenta, desde a preparação para a Consagração até as práticas para ajudar a vivê-la (TVD, n. 158-172), são recomendações piedosas, mas jamais obrigações para quem se consagra. O próprio uso das cadeiazinhas como sinal da Consagração pode, evidentemente, ser substituído por outro sinal mais discreto de devoção (cf. TVD, n. 236).
A único compromisso de um Consagração é aquilo que já é o compromisso para qualquer cristão, ou seja: viver o seu Batismo (TVD n. 126-130). São Luis nem mesmo poderia estipular práticas externas obrigatórias, pois a Consagração não é um Rito Litúrgico, e o próprio São Luis afirma que não foi ele quem criou a Consagração, mas simplesmente apresenta o que muitos já viveram antes dele na história da Igreja.